Jan Timman, uma das grandes lendas do xadrez holandês, morre aos 74 anos
O grande mestre holandês Jan Timman, uma das figuras mais importantes da história do xadrez na Holanda, faleceu na quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026, aos 74 anos, após uma longa doença.
Timman foi por anos a referência absoluta do xadrez holandês e passou a estar entre a elite mundial em uma era dominada por grandes mestres soviéticos.
O melhor jogador de xadrez holandês de sua geração
Nascido em Amsterdã, Jan Timman começou a jogar xadrez aos oito anos e conquistou o título de grão-mestre aos 23. Ao longo de sua carreira, conquistou nove campeonatos nacionais, o primeiro em 1974 e o último em 1996.
Entre o final do século XX, Timman foi por anos o melhor jogador da Holanda e alcançou o segundo lugar no ranking mundial em 1982, ficando atrás apenas de Anatoli Karpov.
Naquele período, ele era internacionalmente conhecido como “O melhor do Ocidente”, competindo diretamente com figuras como Karpov, Boris Spassky e Garry Kasparov.
Entre suas maiores conquistas estão duas vitórias no Hoogovenstoernooi em Wijk aan Zee, em 1981 e 1985, torneio que hoje é conhecido como Torneio de Xadrez de Aço Tata.
Esses resultados consolidaram seu status como um dos poucos jogadores ocidentais capazes de desafiar a dominação soviética na elite mundial.

A Chance pelo Título Mundial
Em 1993, Timman inesperadamente jogou uma partida do Campeonato Mundial contra Anatoly Karpov, depois que Garry Kasparov e Nigel Short decidiram jogar sua partida fora da FIDE.
O confronto entre Karpov e Timman foi reconhecido como a luta oficial pelo título mundial. O holandês foi derrotado por 12,5–8,5.
Desde o título mundial de Max Euwe em 1935, nenhum jogador holandês de xadrez chegou tão perto de conquistar o título mundial quanto Jan Timman.
Um dos seus melhores jogos foi a vitória contra Kasparov em 1985, vou deixar por aqui.
Uma última aparição e uma aposentadoria discreta
Em 2024, Timman fez um retorno impressionante ao Campeonato Nacional Holandês, retornando ao mais alto nível nacional após uma ausência de dezoito anos.
Um ano depois, ele se aposentou definitivamente em silêncio, considerando que o xadrez competitivo em nível físico havia se tornado exigente demais para ele.
Autor e referência intelectual do xadrez
Especialmente nos estágios finais de sua carreira, Timman dedicou-se intensamente à escrita de xadrez. Publicou inúmeros livros e artigos, muitos deles na prestigiada revista New In Chess.
Grande parte de seu trabalho foi dedicada à sua maior paixão pelo xadrez: o jogo final, campo no qual deixou uma contribuição teórica amplamente reconhecida.
Com sua morte, o xadrez perde uma das grandes figuras do século XX e o jogador que levou o xadrez holandês mais longe na era moderna.
