O grande mestre espanhol David Antón, número um no ranking nacional e campeão absoluto da Espanha, garantiu que a Federação Internacional de Xadrez (FIDE) está “a serviço de Magnus Carlsen” após ter apoiado o primeiro torneio oficial de Xadrez Estilo Livre, a empresa promovida pelo próprio jogador norueguês. Antón expressou isso em entrevista à agência de notícias EFE, na véspera do início do campeonato em Weissenhaus (Alemanha).
O peso de Carlsen nas decisões da FIDE
Apesar de não ser um jogador regular em controvérsias, quando questionado sobre a relação entre Carlsen e a FIDE, Anton foi direto. Na opinião dele, o organismo internacional acabou cedendo ao norueguês devido ao impacto que sua presença nos torneios tem.
“Hoje em dia, se você está em um torneio, o público dispara (…) E ele aproveita isso um pouco e faz o que quer”, explicou. Antón acrescentou que Carlsen, com sua carreira esportiva já consolidada, teve espaço para pressionar: “Ele sabe que, se não conseguir o que quer, ele vai embora e pronto. Então a FIDE sempre acaba cedendo.”
Dúvidas sobre a rota do Xadrez Estilo Livre
Antón tem sido mais cético quanto ao impacto do Xadrez Freestyle – também conhecido como Chess960 – no desenvolvimento do xadrez a longo prazo. Embora tenha reconhecido que pode ser atraente para jogadores com muitos anos de experiência, ele considerou que não é um formato fácil para o torcedor comum.
Como ele explicou, muitos amadores gostam de estudar aberturas e preparar planos desde o primeiro movimento, algo que desaparece no Freestyle devido à aleatoriedade das posições iniciais. “Para aqueles de nós que se preparam há mais de 20 anos, gostamos porque tira essa parte do trabalho e é mais divertido; Para as pessoas mais amadoras, acho que é o contrário”, disse ele.

Quanto ao futuro da modalidade, Antón considerou que seu escopo será limitado. Na opinião dele, o Campeonato Mundial de Estilo Livre já tem seguidores agora que conta com o apoio da FIDE, mas ele não acredita que torneios desse tipo se multipliquem no calendário.
Corredeiras, blitz e a mudança de curso do xadrez
O grande mestre espanhol também analisou a evolução dos formatos de jogos. Na opinião dele, jogos rápidos e blitz atraíram mais públicos, algo que a própria FIDE já começou a assumir.
Antón relembrou a recente aprovação do formato clássico de 45 minutos, conhecido como Fast Classic, e apontou que até os jogos lentos de hoje chegaram perto do que antes eram ritmos rápidos. Embora ele considere que o Campeonato Mundial clássico continuará sendo o mais importante, acredita que o peso dos formatos mais curtos continuará a crescer.
Europa, o circuito e o xadrez espanhol
Sobre a celebração de grandes eventos fora da Europa, como o Campeonato Mundial de Rápidos e Blitz em Doha, Anton reconheceu que entende a lógica econômica da FIDE, embora lamente que existam poucos torneios importantes nos países da Europa Central.
Sobre o circuito internacional, destacou o alto nível atual e ficou satisfeito por ter competido novamente no Festival Internacional de Praga, após vários anos sem ser convidado. Quanto ao xadrez espanhol, ele expressou seu desejo de que surja um jogador que dê um salto de nível, embora tenha reconhecido a dificuldade de superar a barreira dos 2600 pontos Elo.
Prodígios infantis e o futuro
Antón também se referia a apelidos e à aparição de jovens talentos. Ele não demonstrou desconforto com o apelido de “o menino Antón” e elogiou a atitude do jovem mestre internacional argentino Faustino Oro, de 12 anos.
Segundo o espanhol, sua maturidade para gerenciar vitórias e derrotas tem sido uma de suas grandes virtudes, e ele considerou que, se continuar nesse caminho, poderia chegar ao top 10 do mundo.
